6 de novembro de 2008

Que espanto causa essa expressão: amar por amar !!?

Ainda não estamos acordados. Pensar e reflectir, é uma ocupação que principalmente diz respeito à filosofia. Filosofar é em primeiro de tudo, ter a humildade de reconhecer que ainda não compreendemos o mundo e o homem, ou, é ter a capacidade de perguntar: o que faz o homem no mundo? Filosofar é duvidar, interrogar… ler os grandes pensadores e “com eles pensar”. Filosofar é procurar identificar os problemas que nos atormentam, é o grito da alma, ou lá o que isso seja (a alma). Filosofar é procurar responder a todos os sentimentos que redemoinham no mais profundo no nosso ser, é ter a coragem de reconhecer que não temos resposta para as principais perguntas impostas pela humanidade… mas acima de tudo, é enfrentar, com coragem, toda a negra neblina que se levanta no nosso entendimento quando tentamos responder às mais antigas perguntas da humanidade. É crer encontrar uma resposta que acalme todas as nossas dúvidas. É querer fazer desvanecer todo o aperto que sentimos em nosso coração. Esta é uma resposta não académica à pergunta: O que é filosofar?

Conhecer a realidade. Viver a vida… afinal é o que fazemos todos os dias, e estamos muito bem. Não vale a pena, descrever o que é viver a vida, pois que, todos sabemos o que isso quer dizer. E nos dias de hoje, é a rotina diária que dita o que é viver a vida. Mas será que realmente vivemos? Algo me diz que o ser humano é algo de incomparável, e sinto-me inclinado a dizer que não é o raciocínio que mais nos dá essa luminosidade, essa grandiosidade que a humanidade transporta. Para mim, o que mais me faz contemplar a forma humana com enorme admiração é a sua capacidade de transportar um grande tesouro no seu coração: o amor, a capacidade de amar, que mesmo ao encontrar a seu antónimo e qualquer língua, não deixa de ser o maior tesouro humano. Quem conseguirá se aperceber totalmente desta grande verdade? Afinal de contas, o que é realmente sobrepor o sentimento ao raciocínio, e porque tentamos desesperadamente explicar (pela razão) o primeiro? E ainda: um explica outro?

Vivemos a vida… e prosseguimos vivendo a vida. Mas será que a maneira como o homem actual encara a vida é realmente viver a vida? Parece-me, que a resposta é unânime… um grande NÂO! No entanto, nada fazemos, nada conseguimos fazer para mudar o nosso modo de viver, pois que, é assim que vivemos a vida. E é muito correcto dizer que vivemos a vida, pois na verdade, a vida é que deveria viver em nós. Neste momento a vida em si, não é senhora da vida, mas sim, é o homem que é senhor da vida. Haverá diferença em viver a vida e em deixar a vida viver em nós?


Agora com o homem. Em comparação ao cão, o homem vive a vida? Sim. Porque o homem, contrariamente ao cão, pode comandar, decidir aquilo que quer ser, enquanto que o cão está determinado a ser cão, o homem é um ser indeterminado, o homem escolhe, de que maneira quer viver. Enquanto que um cão, se resigna ao que a vida lhe dá, o homem pensa mais alto, pensa em ir ao espaço, pensa em viver uma vida calma ou uma vida atribulada, faz as suas escolhas, conforme o que acha melhor para si. Desta maneira, podemos dizer que o homem vive a vida, comanda a vida. Então, no meio de todos os meus sentimentos confusos, surge a questão: Quem vive melhor a vida? Aquele que escolhe de que modo quer viver a vida, ou aquele que abraça a vida, e deixa que a vida, viva em si.

Viver a vida, é uma questão fundamental. Mas o que será que quer dizer, deixar que a vida viva em nós, é recuarmos até à animalidade? É certo, nunca poderemos negar o valor da razão (o valor do raciocínio), mas não será que essa razão se sobrepôs ao sentimento? Quando amamos alguém… precisamos de uma razão para amar? Ou amamos por amar? Que espanto me causa essa expressão: amar por amar. Quem ama por amar? Amar, é por de lado toda a razão, amar, é um sentimento que não tem razão de ser. Assim, a razão, o grande clímax do ser humano, de nada serve, quanto a questão é sentimento, mais propriamente, o amor.

No entender dos filósofos antigos, os chamados pré-socráticos,
“é uma visão do Ser que nos funda e não nós quem funda o Ser pela nossa visão, o Sentido não é construir, mas decifrar.”

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